Ela tira amor de pedra

O último post deste empoeirado blog, datado dois anos atrás, falou sobre filhos, o momento que consideramos ideal para tê-los, algumas inseguranças sobre isso, mas, ora, nós já os tínhamos!

É que, mesmo após termos adotado duas gatas naquela época, não sabíamos a importância que elas tomariam ao longo dos tempos pra gente. Hoje, já sentimos isso de tal maneira que nosso pequeno mundo gira muito em torno delas (e dele, Gabo, que adotamos há quase um mês); são “pessoinhas” que merecem dia a dia nosso respeito, nossa gratidão, nosso amor. A Frida, nossa (eterna) caçula, faleceu há poucos dias e, ainda que os dias sigam seu ritmo comum de vida, exigindo firmeza, responsabilidade e razão, é certo que nosso coração ainda não se recuperou da perda inesperada. Percebo que pouquíssimas pessoas ao nosso redor têm empatia com esse pesar, mas, valha-me! Empatia é coisa que pouco existe no mundo, seria até de se estranhar que ela existisse mais por nós que perdemos uma “mera gata”…

Entre mim, Lore, Zola e Gabo, é sentida uma ausência que machuca, desespera, dói, autocompadece, resigna e acalma; em um ciclo que, em algum momento, irá se transformar apenas em lembrança, ternura, saudade. Enquanto não há a renovação, preencho um pouco do vazio com mais reflexão sobre tudo, desvelando o significado daquilo que foi Frida, tem sido Zola e Gabo, e serão nossos futuros filhos. Esses que não sabemos se já existem por aí, porém, podem estar entre nós em breve. Até o momento e depois dele, tudo se resume a aprendizado. Não há como passar ileso pela vida sem aprender algo, sem se conectar com o conhecimento; quem não o faz não vive, não dialoga com os demais e com seu eu.

A maturidade que tenho hoje me permite ser muito grata até a quem me machucou, mas, para isso, torno-me grata primeiramente a mim por ter descoberto a “moral da história”. E a recente “moral da história” do falecimento da Frida, dos extensivos cuidados à Zola e ao Gabo, e da espera dos filhos, começa no meu relacionamento, esse mesmo que abre o mundo para mim e meus braços para ele.

brav

A Lore é responsável por me ter me cativado e por ter me tornado uma pessoa melhor.

Ela, sendo um ser humano tão frágil, pequeno, cheio de medos, receios, defeitos, como qualquer outro ser humano, é a peça da vida que se encaixa em mim, outro ser humano frágil, pequeno, cheio de medos, receios e defeitos. Ela me ajuda a evoluir para uma pessoa mais crítica, mais consciente com as consequências dos meus atos, mais responsável com o que faço pelo e contra o mundo. Ao lado dela, treino diariamente autopiedade e autocrítica. Aprendo a valorizar o simples, o surpreendente e a busca infinita por ser uma pessoa melhor. Como toda aluna problemática, não logro êxito em tudo que tenho oportunidade de aprender por um automatismo que ainda preciso frear. Sou rebelde, regrido, emburreço, e ela com sua paciência encantada não desiste de mim, nem de si. Pois, como qualquer aluna, também a inspiro, a ensino, a modifico. Foi assim que com ela aprendi a respeitar gatos e a amá-los. E, ao lado dela, é que desejo ser uma boa mãe também para os filhos que hão de vir, quem sabe daqui a pouquinho mais de 1 ano?

Anúncios

Comente e aguarde a nossa aprovação

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s