Kiss me, baby

Eu deveria estar pernando, enviando mails, procurando emprego. Mas estou aqui, blogando.

Btw, se alguém souber de vaga para Jornalista em BH, please, diga-me 🙂

E eu vim para falar de novela… das oito… ou da vida real tal qual ela é. Caso você não assista a novelas, sem dúvidas está sabendo do novo “bafafá” que tem causado o casal homossexual do “Coração Insensato”, por meio das manchetes nas bancas de revistas e jornais ou por sua TL no Twitter. Não importa, o que interessa mesmo é o realismo com que vem sendo tratado esse par romântico.

Claro que há sensibilidade, mas, como twittou a minha obstinada namorada, já imaginou-se o quão surreal é um casal não se beijar? Realismo introspectivo, YEAH!

Eu não imaginava. Como já namorei rapazes, anteriormente o incômodo em ver qualquer casal se beijando era o de sentir inveja por não ter o companheiro naquele momento para tascar uma bitoquinha; se não, era o horror às cenas explícitas de sexo que alguns casais adoram protagonizar em muros e esquinas de ruas.

Contudo, um belo dia, a Loren resolveu me abrir o olho e dizer que era bom eu me acostumar a não nos beijarmos em público, pois seria para sempre assim. Não porque ela fosse pudica. Não porque ela fosse frígida e não porque ela detestasse trocas de carinhos. Mas tudo porque somos reféns da iminência de ataques de violência (gratuita).

Entre tantos que fingem estar tudo bem com a nossa relação e outros que se corroem por dentro, sei que não será todo dia que encontraremos uma moça solidária, que vê duas mulheres acariciando a mão uma da outra, e oferece o seu lugar para uma delas se sentar no bus, como se dissesse: “podem namorar em paz”. Também não encontraremos todo dia um senhor na rua que, apesar de sua inconveniência, resolverásoar um “vai sair casamento”.

Embora pareça, nada disso tem a ver com tolerância ou com direito à liberdade de expressão. Diz respeito mais à humanidade – o que poucas “pessoas” entendem ou são – do que à obrigação de ser complascente.

Abaixo, o vídeo do projeto #eusougay

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Um pensamento sobre “Kiss me, baby

  1. Empatia, acho que é isso que falta. Quem é “normal” (com todo o perdão e a liberdade de usar a palavra) nem imagina, e muitas vezes nem quer imaginar, o que é ter suas ações podadas, vigiadas e repreendidas, nos mínimos detalhes. Não pensam em se colocar no lugar do outro. Pra maioria, os sentimentos alheis que se danem, o que importa é que o deles é preservado. E pronto.

    Qual casal hetero consegue imaginar uma situação em que não possa trocar um beijo em local público (num restaurante, na rua, numa despedida) porque pode ser agredido, de graça?? Basta pensar que essa é uma realidade corriqueira para a gente, que nós devemos nos policiar, nos podar e cuidar para que nenhum carinho “em excesso” “ofenda” os olhos alheios, o tempo todo, em todo lugar. Só pensar que eu e você, e milhares de outros casais, só temos o direito de ser um casal, de forma livre e despreocupada, entre quatro paredes.

    Não poder expressar livremente o amor que sinto é a pior de TODAS as discriminações, a pior de todas as dores. Odeio não poder fazer um afago, um carinho, dar um beijo, despreocupadamente, sem pensar que algum curioso pode estar olhando, algum tarado pode estar se excitando (por que somos duas mulheres bonitas, modéstia a parte, hem hem), ou um tirano pode estar se preparando para atirar uma ofensa ou uma pedra… Dói. Só isso. Mas dói muito.

    Lindo texto, amor,e muito oportuno.

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