Foi assim…

Era uma vez… Não é assim que se começam os contos de fada? Eu poderia começar o meu assim também, mas não vou. Nada de clichês numa história que, apesar de bastante convencional, é também um tanto quanto diferente. Mas esse post vai mesmo servir para contar uma historinha pra quem nos estiver lendo: a história de como tudo começou entre mim e a Lu.

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A ideia veio (ou melhor, nos foi carinhosamente sugerida :P) quando, por esses dias, descobrimos que ainda estávamos chocando amigos com o nosso relacionamento, que viam o blog, viam as duas juntas, liam, mas ainda não haviam captado a ideia. Como assim, Lorena e Luana estão juntas?? Juntas, tipo, namoradas-noivas juntas?? Os amigos que captaram a mensagem demoraram um tempinho pra “digerir” a situação, e na nossa pesquisa informal de opinião, constatamos uma constante: o susto foi geral! Ok, era de se esperar, entendemos. E nos desculpamos por todas as confusões que se seguiram nos últimos meses, até os últimos dias, por não termos contado tintim por tintim tudo que estava acontecendo para cada um de vocês. A verdade é que tudo aconteceu muito rápido, ainda estamos aprendendo a lidar com a velocidade das coisas. E outra coisa, por tantos de vocês conhecerem as duas, não sabíamos como a maioria iria reagir à novidade. Mas, enfim, vamos à história, até porque muitas leitoras do blog ainda não sabem do que a maioria de vocês sabem sobre nós.

Eu e a Lu nos conhecemos há uns 2 anos ou mais, nessa blogosfera grande de meu Deus. Eu não sei explicar direitinho como a gente se achou (a Lu sabe EXATAMENTE como foi, vocês perguntem à ela, a memória dela é melhor que a minha), mas sei que nos encontramos e começamos a ser presença fixa no blog uma da outra. Nos líamos e nos comentávamos, uma amizade virtual tímida e uma admiração mútua tomaram corpo, mas nada além disso. A Lu, até bem pouco tempo atrás, era convicta da sua heterossexualidade, então realmente nenhum flerte aconteceu entre a gente naquelas épocas. Eu “fechei” meu blog, saí um pouco desse mundo, e nós perdemos o contato por um tempo. Aí chegou o twitter e nos reencontramos (também não sei exatamente como, mas é outra história que meu amor pode contar pra vocês com riqueza de detalhes. Sério, a memória dela é de espantar O.o), voltamos a trocar mensagens, passamos a ter um contato mais direto, a nos conhecer ainda melhor. Esse contato fez com que a antiga admiração se renovasse e novos sentimentos foram tomando corpo no nosso corpo. Eu, já consciente da minha homossexualidade, evitava me envolver demais, porque sabia que ela era hetero e havia acabado de sair de um relacionamento, mas confesso que não tinha muito sucesso nas minhas tentativas. Ela, sem entender bem o que sentia por mim, achando que não passava realmente de simples admiração de amiga, continuou alimentando o sentimento.

Por causa do nosso gosto comum por cinema e por causa de um filme em especial que recomendei a ela (Mary & Max, pra quem estiver interessado em assistir, muito lindo), acabamos começando a trocar emails. Email vai, email vem, em pouco tempo estávamos nos escrevendo não apenas todos os dias, mas várias vezes por dia! Sabe aquela coisa de gente boba apaixonada “tô te escrevendo porque cruzei a rua e lembrei de você”? Era mais ou menos isso. E cada vez que o nome dela aparecia na minha caixa de entrada, uma revoada de borboletas fazia um alvoroço na minha barriga. Ela também já se sentia da mesma forma, e esse sentimento, tão novo, tão diferente, começava deixá-la aflita. Ela tinha certeza que não era correspondida, até porque eu sempre fui muito cuidadosa em relação às paixonites por amigas hetero. As meninas que são lésbicas sabem como é o dilema; a gente nunca sabe se está interpretando os sinais corretamente, e muitas vezes não está mesmo. No final das contas, a confusão pode gerar muita mágoa e amizades abaladas. Enfim, eu não queria isso, então me forçava a acreditar que eu estava vendo coisa, que o carinho era coisa de amiga, nada de especial. Para a minha sorte, minha namorada, além do ser humano mais generoso que eu conheço, é uma pessoa corajosa e determinada, e foi ela quem veio a mim e abriu o coração, me contando tudo o que sentia e esperando pelo pior, pelo fim da amizade que havíamos começado. Para a felicidade geral (ou pelo menos, a de nós duas) ela estava errada. 🙂

Estamos juntas há 4 meses, mas já passamos por tantas coisas que a sensação que temos é que lá se vão 4 anos, 4 décadas, uma eternidade de tempo. Nesses 4 meses, trocamos milhares de emails, gastamos milhares de minutos ao telefone (God save the Tim [/infame]), nos encontramos pessoalmente duas vezes, e nos encontraremos mais uma vez no mês que vem, quando finalmente vou conhecer a “roça-chique” onde meu bebê mora. Depois disso, provavelmente só nos encontraremos novamente quando ela vier de vez, no meio do ano que vem (Deus e nossasinhora nos ajudem a aguentar o tranco e o tempo, amém). Em 4 meses já enfrentamos algumas crises pessoais, crises no trabalho, perseguições de ex, mudanças de planos, crises familiares (que estão só começando), alguns momentos de tristeza, muitas saudades, lágrimas e certa dose de desesperança. Mas nada disso serviu para abalar a certeza do sentimento que temos uma pela outra. É amor. De verdade. 🙂 Tanto que, apesar de tudo, nem passa pela nossa cabeça desistir dos nossos sonhos e planos.

O caminho ainda é longo e estamos aprendendo a lidar com as adversidades e com a realização de quem nem tudo pode ser como queremos. A frustração bate às vezes (muitas vezes), mas nossa única opção é encarar de frente e aprender a lidar com ela. Porque realmente não existe outra opção. Já não existe outra vida, outro futuro, que não seja o que sonhamos em partilhar juntas.

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9 pensamentos sobre “Foi assim…

  1. “viam o blog, viam as duas juntas, liam, mas ainda não haviam captado a ideia.” >> .o/

    Recebam meu carinho, meu amor, meu apoio e minha força mais uma vez, meninas. E meu desejo de que meu pastor não veja este comment, pq eu num tô afim de debater sobre a validade do amor alheio! =P

    Fico feliz de poder fazer parte – mesmo que só na torcida distante – dessa estória linda. Nunca pensei que a blogosfera fosse me trazer tantas emoções! E vocês, pensavam?

    Amo vocês.

  2. Calculando beem…nos conhecemos mesmo há 2 anos e meio, bebê. Nem vou colocar três, porque eu não acompanhava seu blog deeesde o princípio ;D

    Mas sim, vc sempre foi a moça linda, amável e carinhosa com todos. Tua meiguice, tua sensibilidade e, incrivelmente, tua força e sabedoria me conquistaram desde o primeiro momento. Ok, que, como eu ja te confidenciei, não lia toodos os teus textos, porque, minha gente, acreditem essa mulher não combina em ser sucinta.

    Mesmo assim, a amo tanto, tanto, tanto… 🙂 E, embora todos achem um tempo mto curto de relacionamento para selarmos uma aliança, o fato é que ngm sabe a intensidade do que vivemos juntas, apesar da distância, e de todo o sentimento bom que se apossou de nós duas. Nosso encontro de almas vale toda uma vida. E, desde que resolvemos assumir os nossos sentimentos uma pra outra, companheirismo é o que melhor tem definido a nossa relação. Com amor de sobra, claro!

    Por isso, pouco nos importam as dúvidas externas, os receios alheios. Estamos vibrando em força.

    Te amo, Loren!

    P.S.: não mesmo, Pri! Mesmo que eu ja tenha feito grandes amigos na blogosfera, não pensava em encontrar o amor lindo da minha vida 🙂

  3. To besta…… +___+

    História de amor quando dá pra acontecer de verdade é muito melhor do que de filme hein!! Me apaixonei por vcs, pelo amor de vcs, pela sensibilidade e pelas emoções que enfrentaram (e ainda enfrentam) juntas. Eu e a Camila também tivemos um relacionamento ultra-power-veloz e por mais que tenhamos tremido um pouco de medo dessa verdade, hoje sabemos que quando a gente ama mesmo não tem jeito – é melhor sair logo vivendo tudo isso da forma mais intensa e sincera possível hehe
    Super beijos pra vcs!!

  4. O que mais me impressiona nos textos da Loren é este monte de borboletas…
    A gente se assustou mas é só. No mais eu torço muito pelas duas.Adoro histórias de amor e desejo muito que Deus as abençoe e digo isto sem medo pois eu já execrei o meu pastor há muito tempo.
    “”Não se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam.”

    Beijão lindas!

  5. Agooooora sim!

    Achei que vocês duas iam deixar a gente sem saber do “Era uma vez…” Ora, pois! A regra é clara, tem que contar tudo (sem os pormenores, obviamente), que é pra não matar a coleguinha de curiosidade.

    Eu nem sei quando foi que eu me dei conta. Sei que era meu amor pra lá, meu amor pra cá naquele tuiter, mas não sei dizer bem quando foi exatamente que eu disse: “uaaaau, que bafóoon!” (tá, eu não disse isso, mas foi mais ou menos isso).

    Susto foi, mas não foi choque, nem foi necessário digerir coisa alguma. Se é assim, assim é. E a gente faz festa, porque o bonito do amor é isso mesmo: brota de onde menos se espera!

    Felicidades, gateeeenhas!

    E 'guentem o tranco da saudade… já, já agosto tá chegando! \o/ E aí serão só abraços e beijinhos, e carinhos sem ter fim… :)))

  6. Confesso que chorei com este texto, mas isso não é mais novidade pra vocês, né? Já me ouviram chorar tantas e tantas vezes. Só digo uma coisa. AMO VOCÊS.
    Contem com me apoio, pra sempre! E me aguardem, no meio do ano tô chegando em BH pra abraçar de verdade as duas, pessoalmente!

  7. Eu que custei a acreditar que esse lance de amizade em blogosfera fosse possível, serei padrinho do primeiro romance virtual que testemunhei.

    O amor realmente se manifesta da maneira mais inesperada e de forma tão impulsiva que não tem quem não se assuste.

    E ele torna-se mais bonito quando vai alcançando mais pessoas que compartilham desse sentimento com vocês, como uma flor que vai espalhando pólen ao sabor do vento, fazendo brotar novas belezas e comunicando o barato que é viver.

    Aquele beijo de sempre.

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