Wedding por aqui I

E a pergunta da vez é: E aí, Lu? Vai casar mesmo? A pergunta é feita pelo parecer absurdo da ‘coisa casar’. Nem o meu romantismo e frescurite exacerbada um dia denunciaram que eu fosse uma moça casamenteira (de um evento e esposa só, bem dito e lido). Com tantos planos e sonhos de desvendar o mundo, com a típica ranzice da mulher moderna, teria quem me imaginasse solteira, abusando (ah, tá) de homens inocentes entre um cigarro e um copo de uísque, até chegar à minha coroíce rouca.

Ressalto, porém, que a pergunta não é um espanto reflexivo apenas às possibilidades que se desenhavam até outro dia para o meu futuro, mas também uma autorresposta aversiva ao que se intitula casamento. Dentre tantos que acreditam no casamento como um ritual religioso obrigatório ou num empata-foda da solteirice convicta, há os que simplesmente não acreditam no amor que leva ao aliançamento. Sabe a frase do até que a morte nos separe ser transformada em até que você me dê um boa noite sem beijo na boca e vire pro lado?

Mas não há mesmo flores que durem para sempre, nem que deixem lugares para novas flores desabrocharem em novos mares. Se tivermos que desistir do amor porque as histórias não são eternamente lindas, é melhor desistir da vida que nem sempre é boa para ser vivida. Para mim, isso não é extremismo. Extremismo é sim – e aí eu já mudo um pouquinho a rota do assunto para o que eu realmente quero chamar a atenção – querer casar bonitinho no papel, garantir direitos de esposas e não ter todos os privilégios que os mortais que pagam as mesmas contas e impostos que eu e a Loren possuem.

Nenhé extremismo, é injustiça da justiça mesmo. A exemplo bem resumido do que foi entediantemente discutido durante a última campanha eleitoral para presidente, há tempos casamento deixou de ser um ritual exclusivamente religioso e passou a ser uma comunhão de direitos perante o Estado. De tal forma, em momento algum – ao contrário do que era propagado por religiosos fascistas – a comunidade homossexual reivindica casamento em igrejas evangélicas, católicas, umbandistas, judaicas e blá blá blá.

Eu acredito em Deus, mas não tenho religião. A Loren já foi católica fervorosa (anram, senta lá), continua acreditando em Deus, mas não faz questão alguma de subir ao altar de uma igreja para casar. Hoje, contudo, andamos às voltas de entender as diferenças entre união estável, união de sociedade homoafetiva e tantos outros termos que, ao passo que podem dizer a mesma coisa, acabam dizendo n-a-d-a para quem quer o máximo do mínimo de direitos possíveis.

Por isso, resolvemos transformar oficialmente o Em Cores em um blog de passo a passo do casamento entre duas mulheres e dividir um pouquinho essas nossas dúvidas diárias de telefonemas, googles, pesquisas e buquês da nossa vida de noivas de primeira/única viagem. Em uma próxima postagem, vamos tentar explicar um pouco sobre as diferenças das tais uniões e qual se adequa melhor ao nosso caso. É, pois é. Para todos os efeitos, temos aqui uma gestação de 9 meses #spoilerpara o nosso casamento. Como vai ser? Veremos e OREMOS! =P

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3 pensamentos sobre “Wedding por aqui I

  1. Pois é, começamos a correria atrás de entender toda a burocracia que envolvem os documentos necessários para que sejamos consideradas casadas; ou o mais próximo disso que nos é permitido pela lei brasileira. Já estamos, invariavelmente, excluídas de alguns direitos reservados às pessoas heterossexuais ao se casarem (independente do fato de nossa união ser tão ou mais legítima que qualquer casamento. hetero). Além disso, para assegurarmos outros “privilégios”, que para a maioria das pessoas viriam automaticamente com a certidão de casamento, temos que providenciar mil e um documentos, pensar em mil e um detalhes, pra ter certeza que o máximo de direitos conjugais estão sendo contemplados na nossa união. É muita coisa pra pensar, pesquisar, perguntar, esclarecer…

    Mas esperamos que nossa “odisséia” sirva para ajudar a esclarecer as dúvidas de outros casais que desejem o mesmo e estejam encontrando as mesmas dificuldades que a gente. E, que no final, tudo dê certo e esse bendito (e abençoado, opa!) casamento saia, exatamente como sonhamos e desejamos. 🙂

  2. Sei que é piegas mas, agente reinventa todos os dia o amor e a cumplicidade nesse caso só aumenta!

    Pois é, quem disse que gays querem direito de casamento nas igrejas regadas pelas religiões? Só queremos os mesmos direitos que todo e qualquer cidadão comum possui. Também não comungo de nenhuma religião e entendo que a igreja, enquanto instituição, tem o poder de alienar e promover a homofobia.

    Ainda não registramos nossa união porque o que eu quero mesmo é casar – no caso aqui posse de direitos – e poder registrar nosso futuro baby com os nosso nomes. Tínhamos planos de fazê-lo em outro país mas sei não…

    Sedenta por novidades!
    🙂

    A propósito, gosto muito de Almodóvar.

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