Aprendendo a Viver

Esse é o título do lindo presente que recebi das mãos de quem eu amo tanto. Sem saber, mas somente por ser o nome do seu livro dileto da Clarice Lispector, mal sabia que era isso que ela estava me fazendo muito e aos poucos…

“Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.”

Por intenção ou sem presunção, também, o livro acariciou os meus olhos no primeiro dia do nosso encontro. Horas antes, eu sentia meu coração comprimido dentro de um corpo que não se aguentava de ansiedade por dar e receber um abraço. E o abraço foi dado, após um rosto envermelhecido da vergonha de ter sido surpreendida numa noite escura de um belo horizonte, e antes de lábios sedentos se encontrarem em beijos desengonçados que logo se encaixariam como as almas já haviam se encaixado tão logo passaram a coexistir.

“A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida – e se parece com o início de uma perdição irrecuperável”.

De repente, foi que nos tocamos…nos tocamos de que Dindí existia sim. Eu era a sua, e ela a minha Dindí. Os céus, cúmplices secretos de nossos corpos, derramaram o frio em nosso quarto amanhecido pelo aroma de um amor quente e sereno. Os dois dias seguintes foram iguais em cheiro, cores e tons, interrompidos apenas pelas nuvens cinzas que fizeram questão de encenar o nosso ‘até logo’.

Mas jamais os dias mais felizes da minha vida serão engavetados: as mãos dadas e mais apertadas quando o senhor, no meio da rua, autoquestionava (ou aos demais transeuntes?) se ‘aquilo era amor ou amizade’; os beijos roubados no hall do hotel, quando sabíamos que apenas as câmeras de segurança e seus olheiros testemunhavam; a corrida pela aliança na medida certa e o ‘sim’ após o ‘você tem certeza que quer ser minha, só minha para sempre?’; a certeza de que todo o tempo que houver nessa vida após tão poucas horas, minutos e segundos, nunca será o mesmo.

“Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata”.
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Um pensamento sobre “Aprendendo a Viver

  1. “Como traduzir o profundo silêncio do encontro entre duas almas? É dificílimo contar. Nós estávamos nos olhando fixamente, e assim ficamos por uns instantes. Éramos um só ser. Esses momentos são o meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isso de: estado agudo de felicidade.” (não te conto onde encontrar esse trecho, você acaba chegando lá 🙂

    Nada da vida que vivemos nesses poucos dias vai sair, jamais, do meu coração ou da minha memória. Sei que ainda temos muitos dias pela frente; ainda temos muita vida pela frente, eu sei. Mas acho que o início é sempre especial e fica guardado.

    Ainda rio sozinha do comentário do senhor e sua capa de chuva, questionando aos ventos se nossas mãos dadas eram sinal de amor ou amizade. Acredito que muitos devem ter se perguntado isso intimamente, mas só aquele homem (que tinha ares meio de bêbado, meio de louco, você também não achou?) teve a “audácia” de verbalizar o questionamento. E nós rimos, cúmplices, com a certeza do que temos, do que somos. A certeza de que somos “para sempre”.

    Até a volta, amor.

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