Da série: eu quero meu amor comigo

Traí, meu amor, confesso. Joguem pedra nesta Geni.
Havíamos combinado de assistir a “Amor à Distância” juntas, mas acabei abortando o plano em troca de um ingresso grátis ofertado por um amigo carente. Tsc.

E olha que não sou lá muito fã de comédias românticas ou, pelo menos, a ponto de pagar no cinema para assisti-las. Por acaso, as aprecie em um download clandestino, em uma temporada fim de ano ou em abertura de nova programação em rede, quando nem 10% dos super lançamentos do ano anterior anunciados para a Tela Quente (é esse mesmo o nome da sessão da segunda-feira à noite, após a morte do Saulo?) são transmitidos. E o tal amigo carente é bem parecido comigo nesse aspecto, mas, como bem lhes disse, ele está numa vibe carente. [/todos dizem ‘ooowwnnn’]

Btw, a sensação que eu tive em assistir ao filme foi a de ver o meu roteiro de amor exposto. Ou também de alguns espectadores estarem rindo, gargalhando (coméééédia……) do meu drama romântico. Quando se mantém um relacionamento amoroso à distância, a saudade e a necessidade de compartilhar estouram todos os termômetros de emoções. Ficamos tão à flor da pele, que – com a licença poética do Zeca Baleiro – a pele tem o fogo do juízo final. Nem todo mundo tem peito, fôlego e coração para encarar namoro à distância. Por mais que as juras de amor sejam muito intensas para compensar a vontade de beijar, de tocar @ outr@, a insegurança fica o tempo todo desconjurando a fidelidade e a confiança, assim como em um relacionamento ‘convencional’.

A diferença é que nos sentimos mais sós, quando presenciamos casais se acarinhando; que nossas contas telefônicas são mais extensas e caras; que o nosso horário biológico entra em parafuso, quando só conseguimos dormir após às 4h da madrugada, mesmo tendo que trabalhar 4h depois; que as horas diminuem mais quando uma está no Nordeste e a outra no Sudeste em pleno horário de verão; que os Correios não colaboram para que o presente de aniversário de namoro chegue na data certa; que os leilões aéreos duram apenas o final de semana em que o seu cartão de crédito está phodido; e que todos os que te rodeiam acham mesmo que você é uma fissurada em twitter, facebook, orkut, sms, e, na verdade, tudo isso seria supérfluo se uma estivesse ao lado da outra.

E, durante todo o filme “Amor à Distância” essas contraposições são tiradas de letra, não como um substanciamento da surrealidade, mas – a dizer pelo meu amigo carente – como uma reconfiguração das relações sociais contemporâneas. Não há mais tantos enigmas naquilo que acontece, não só quando se procura (em internet), mas também quando o acaso quer brincar de desencontrar até encontrar, como no filme. 

Por mais que se degladie a distância, que o calendário pareça não correr para o tão aguardado encontro, falamos (eu e o filme) de amor até agora. E, se há amor assim, que não se demore a encontrar o bem querer, que se encontre meios para se manter a chama acesa no intervalo de um encontro e outro, que haja esforços. E que, principalmente, por haver distâncias, um não se anule em favor do outro. Resolver-se individualmente também aproxima.

Assistam-nos em “Amor à Distância“.  

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3 pensamentos sobre “Da série: eu quero meu amor comigo

  1. Quando vi o trailer de Amor À Distância pela primeira vez pensei “oba! um filme sobre a gente”. Achei que ia me divertir e suspirar com o casal de pombinhos vivendo na tela a mesma história que eu vivo no meu dia-a-dia. Tola eu, que não havia parado pra pensar que reviveria, junto aos personagens, todas as dificuldades, desventuras, desassossego e solidão que quem vive um relacionamento à distância experiencia.
    Eu ainda não vi o filme (porque meu amor me traiu, humpf!), mas já sei que vou estranhar ver minha história tão exposta, feita piada, pra todo mundo rir. Sei que é pra isso que as comédias são feitas, pra tirar a graça dos fatos cotidianos que não são assim tão engraçados para quem os vive. Mas já prevejo o incômodo e a tristeza, e o choro cúmplice, nas cenas em que todas os outros expectadores vão estar chorando de rir.
    Amar à distância está longe de ser fácil, e requer um mínimo de coragem e paciência para enfrentar as dificuldades, que não são poucas, e a saudade que parece que esmaga o coração dentro do peito. Mas não é coisa impossível e nem de longe é ruim, porque dar e receber amor nunca é ruim. É graça, e como dádiva que é, deve ser vivida intensamente, seja como for.

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